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Caronas, bicicletas e sites: apostas de empresas para satisfazer funcionários
09/10/2013

Para ter funcionários dispostos e felizes, diversas companhias têm investido em programas que facilitam a locomoção, reduzem os engarrafamentos e contribuem enormemente para a mobilidade urbana das cidades

O expediente começa às 8h, mas para chegar ao trabalho muitas pessoas precisam sair de casa às 6h da manhã. Nas grandes metrópoles brasileiras, essa realidade é motivo de descontentamento, queda de produtividade, aumento do turn over e problemas também na vida pessoal dos funcionários.
Para ajudar seus colaboradores e, consequentemente, melhorar a sua rentabilidade, muitas empresas estão investindo em programas de transporte alternativo, incentivando o uso de bicicletas ou organizando caronas solidárias.
É o caso do Banco Mundial. Depois de selecionar empresas localizadas em regiões de difícil acesso e de pesquisar o tempo gasto pelos empregados, eles montaram uma lista de opções (incluindo até home office) e agora estão monitorando o processo de adaptação. Dos 1.054 funcionários pesquisados, 57% vão de carro para o trabalho, mas apenas 5% dão carona para alguém.
Pensando em resolver essa lacuna, a IBM Brasil lançou uma ideia que está dando muito certo. No café do prédio onde a empresa está instalada, existe um telão no qual são divulgadas as ofertas e as procuras por caronas. Basta mandar uma mensagem de texto do celular e a informação aparece no painel junto com o número de telefone. Assim, é possível encontrar pessoas que vão para o mesmo lugar e que têm assentos à disposição no veículo.
As vantagens disso são muitas: menos carros nas ruas, divisão dos custos de estacionamento e menos emissão de dióxido de carbono na atmosfera. Só o trânsito de São Paulo – uma das cidades brasileiras que mais polui – libera, anualmente, mais de 12,5 milhões de toneladas de CO2 [confira na tabela dados de outras capitais].

Empresas adotam sites de caronas

Além de algumas empresas atentas a programas que possam melhorar a mobilidade urbana, atualmente existem diversos sites que facilitam o encontro entre quem quer ocupar as vagas no carro e quem quer economizar tempo e chegar mais cedo.
O Caronetas é um deles. Criada em 2011, a plataforma foi a escolha do Citibank, que conta com mais de 7 mil funcionários em todo o país. A opção de mobilidade urbana do banco, ativa desde outubro de 2012, deve ser expandida ainda neste ano. Para incentivar a adesão à ideia, foi criado um programa de benefícios: o caroneiro recebe uma moeda virtual que dá direito a presentes em lojas. “Ao investir em um processo corporativo de carona, a empresa reduz custos, por meio da redução da necessidade de vagas de estacionamento, gera integração entre os funcionários, e normalmente uma redução de carbono muito maior do que se imagina”, afirma Márcio Nigro, idealizador e diretor do Caronetas. “Um carro parado, que rode 22 km por percurso, gera uma economia de uma tonelada de carbono por mês – uma redução muito maior do que a maioria das empresas consegue através de seus programas internos de reciclagem. Além disso, um funcionário que consiga compartilhar custos do seu carro com outro usuário tem a mesma sensação financeira de um aumento de salário, com a diferença que a empresa não gastou nada”, complementa Nigro.
Existem várias outras opções de sites no mercado, como o Carona Brasil, o Carona Segura, o UniCaronas e o Eco-Carroagem. Quem aderiu a este último foi o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Com uma página personalizada, os cerca de 3 mil funcionários podem combinar caronas com muita comodidade. Em sua tese de mestrado na USP (Universidade de São Paulo), Sandra Oliveira entrevistou 256 trabalhadores do instituto e descobriu que apenas 1,5% desse grupo são caroneiros ativos. Segundo a pesquisadora, a segurança é um dos principais motivos para a não adesão aos programas de carona solidária. Aliada a isso também está a falta de vontade em assumir um compromisso, tendo de depender de outra pessoa para a organização dos horários pessoais.

De bike para o trabalho

Quem prefere deixar o carro em casa também tem alternativas para evitar o trânsito. Embora ainda não disponha de uma malha cicloviária eficiente, o Brasil tem feito progressos. As três capitais com mais quilometragem de faixas destinadas ao meio de transporte são Rio de Janeiro (300 km), Brasília (160 km) e Curitiba (127 km). O Governo Federal pretende ampliar as ciclovias em todo o país e já vem investindo nas bicicletas públicas – com novas estações se multiplicando nas esquinas das grandes cidades. Mas é preciso que as empresas cumpram a sua parte. Criação de bicicletários e de vestiários são ações importantes, mas exigem tempo e dinheiro para projeto e execução.
Em função dessa lacuna, estão surgindo grupos interessados em ajudar as empresas a fazer a sua parte por um trânsito melhor. A cidade de São Paulo, por exemplo, conta agora com um modelo diferente de loja de bicicletas, equipamentos e acessórios, oficina, café e o serviço park ´n shower, semelhante aos que se vê na Europa e no Japão. O Aro 27 Bike Café, inaugurado no início de julho, permite que, por R$ 17, o ciclista estacione e tome um banho para chegar ao trabalho como se tivesse acabado de sair de casa.
Localizado a 50 metros da Estação Pinheiros do metrô, também dá desconto de 5% para quem só quer aproveitar o espaço do café, mas chega de bicicleta. E para incentivar o uso de bikes, o Aro 27 também oferece programa de capacitação de funcionários, com palestras e treinamentos que mostram a viabilidade e a segurança do uso da bicicleta em cidades grandes.
De acordo com o proprietário do Bike Café, Fabio Samori, a aceitação da ideia pelos paulistas foi muito positiva. “Como ciclista, o colaborador passa a ter um olhar diferenciado sobre a sua cidade. Costumo dizer que esse é um caminho sem volta, na concepção mais positiva desse termo”.

Revista parking Brasil
Ano III - Nº 13 - Julho/Agosto 2013



Fonte: Revista parking Brasil

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